A noite estava escura. O céu cobria
o vilarejo em cinza. Várias pessoas pelas ruas. Os sons dos carros competindo
por atenção. Nada disso importa. O mar chama. Aqueles corpos vão atender seu clamor.
A pele sente o frio que o vento traz, a areia ainda úmida sob os pés descalços.
Sal e metal, sabores que queimam as narinas. Um passo, uma marola. Dois passos, água
até os tornozelos. Três, quatro, cinco... quarenta passos, quadris molhados. A
água está quente. É possível sentir a energia do sol que já se pôs. Essa energia
agora é dos corpos. Eles mergulham até cobrir o último fio de cabelo. À emersão, as roupas grudam-se à pele, desenhando-a. Uma corrida até a areia. Uma corrida
pela areia, para aquecer.
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