domingo, 9 de agosto de 2015

Para aquecer

A noite estava escura. O céu cobria o vilarejo em cinza. Várias pessoas pelas ruas. Os sons dos carros competindo por atenção. Nada disso importa. O mar chama. Aqueles corpos vão atender seu clamor. A pele sente o frio que o vento traz, a areia ainda úmida sob os pés descalços. Sal e metal, sabores que queimam as narinas. Um passo, uma marola. Dois passos, água até os tornozelos. Três, quatro, cinco... quarenta passos, quadris molhados. A água está quente. É possível sentir a energia do sol que já se pôs. Essa energia agora é dos corpos. Eles mergulham até cobrir o último fio de cabelo. À emersão, as roupas grudam-se à pele, desenhando-a. Uma corrida até a areia. Uma corrida pela areia, para aquecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário