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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Nota sobre o fim das férias

Morar fora é como destruir um pedacinho de si mesma para caber a nova pessoa que tu é. Estar na terra natal é como estar envolto nos braços da tua mãe. Só que isso também não é mais suficiente, porque tu sente saudades da nova casa. Mas ao chegar lá, teu coração fica vazio. Ah... essa primeira noite é sempre a mais triste. Nenhuma música, nenhum filme ou mesmo um livro enriquece a solidão. Porque tem toda esta saudade no peito. Nada nem ninguém é capaz de preencher o espaço deixado por aquele você que já não existe.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Diálogos de um sábado qualquer

- Oi, tudo bem?
- Quanto tempo não é mesmo?

Risos sem graça. Abraços sem jeito.

Mas... será que você não estranha esse distanciamento? Será que as vezes não sente essa vontade que eu sinto de te fazer um cafuné?
Por que não faço?
Ah, sabe como é... tem uma certa convenção social que fala que não é tão legal ficar por aí afagando a cabeça de outras pessoas assim, do nada.
Não me olha assim.
Eu sei que não devia me importar com esse tipo de coisa, mas eu também não devia sentir esses desejos.

Só que hoje eu quando eu abri meus olhos, você foi a primeira coisa que eu pensei. Estranho né?
Quer dizer.. de certa forma, suponho que seja natural. 
Na verdade hoje eu acordei e eram seus olhos vendo o mundo. Hoje acordei um pouco você. E eu gosto disso. De me perder um pouco.
Mas eu queria te fazer uma pergunta.

Deixa eu bagunçar você?


- Bom te ver.
- A gente vai se falando.

segunda-feira, 3 de março de 2014

15 minutos para o fim do 18

     Aqui estou: parada em frente a uma tela, esperando que as palavras certas pintem a tela. Sem saber por onde começar se não há início e se tudo parece tão gasto.
     Certa noite recebi uma ligação comum e tudo o que pude fazer desde então foi chorar. Às vezes com lágrimas noutras sem. Não consegui por paz nem por segundo na minha mente. É como se meu coração tivesse partido, mas eu não soubesse porquê. Desde então, qualquer detalhe me perturba. Eu já não acho ar para respirar ou chão no qual pisar. Não há nada além de mim sentada na beira de um penhasco a observar nuvens volumosas crescendo no céu. Posso sentir os raios.
      Noutra noite, pouco mais conturbada, sinto a contagem de mais um ano se aproximando da minha vida. Choro por ver em mim alguém que não sou. Choro por ver o que não posso ser. Choro por não achar palavras nem saber falar. Por medo, decepção e incerteza.
   Uma fórmula para não se sentir assim seria ótima, tudo que tenho são sorrisos como um alívio momentâneo. Talvez uma ligação inesperada no meio da noite te faça bem. Pode ser que a verdade te faça mal.
      Eu estou aqui, agora. Minha cabeça girando. Pensamentos gritando. E uma promessa de liberdade que eu já não tenho. Esta noite é a hora de dizer "até mais" para algumas coisas. Hora de adeus.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sozinha numa ilha

     Estou presa. Imobilizada em um canto qualquer. Não consigo ver um palmo a minha frente. Não posso respirar esse ar tão sujo. Morro dentro de mim, sem que ninguém veja. Sorrisos indicam que está tudo bem não é mesmo? Há tanta coisa em jogo e ainda sim eu me nego a prosseguir. Droga, você já passou por tantas coisas. Por que isso agora? Eu não sei. Estou amarrada, mas não há correntes, nem cordas ou algemas. O que me prende? Eu tentei fugir, mas o que restou, renegou-me. A vida me enche, a morte me fascina. Não, não é pensamento suicida. Apenas algumas ideias... Talvez só a morte possa nos dar a liberdade que bravamente buscamos todo o tempo.
     Eu quero ser, mas sinto que não posso. É impossível ser eu agora. Talvez as máscaras sejam faces mais apropriadas. Eu nunca quis dançar essa música, mas me lançaram ao palco. Dance, você será avaliada e disto dependerá o resto dos seus dias miseráveis. Eu descobri o quanto dançar pode ser maravilhoso. Ah, é a música que não combina comigo. O ritmo não é o meu. Porém eu já não posso parar. Continue ou estará fora do jogo, eles dizem. Diminuí a velocidade, ouvindo uma música que tocava na minha mente. Tentando achar um movimento que torne agradável tudo isso. O resultado disso é que recaíram tantas acusações, tantas falhas sobre mim. Eu não estou pronta para esse jogo.

     Tudo que eu sempre quis foi ser boa o suficiente. Agora já não tenho certeza se sou ou se posso ser. Acabaram as brincadeiras. Esse é o mundo dos adultos, tão feroz. Aqui, as palavras de ordem são: responsabilidade e hipocrisia. Estou numa ilha. Até quando permanecerei fiel a mim?

sábado, 31 de agosto de 2013

A mente vaga

Folha a folha
Florescem as árvores

Cantam  os pássaros
Nas manhãs de sábado
Frias
Sono-lentas

Dias recheados de sorrisos
Sorrisos feitos de lágrimas
Mas sem dor
Secos
Como o sentimento

Pensamentos fluíam...

A noite tem luar
Mas não há brilho