domingo, 13 de outubro de 2013

Uma Sofia a mais

           Sinto-me escorregando pela pelagem do coelho. Os olhos do grande mágico agora são apenas uma lembrança distante. Quanto fito o local onde deveriam estar, já não há mais estrelas, ou céu. Pouco a pouco tudo se torna branco. Vejo a base cada dia mais próxima. É desconfortável estar no meio do caminho. Tento subir, mas é uma escalada de difícil. Tão mais cômodo seria deixar-me levar. Entretanto, conforto é um lugar perigoso também. 
           Todos esse pelos não permitem uma visão clara. Parece tão ruim não saber o truque do qual fazemos parte. Em que palco estamos? E, no entanto, se isso nos fosse revelado, que graça teria essa jornada? Talvez, ela nem existisse. Parece inconcebível uma vida sem questões a serem respondidas. Por isso me agarro firme aos pelos. Não posso cair. Somente algumas respostas ou mais perguntas poderão me oferecer a razão que necessito para continuar. Mas não se aborreça comigo, grande Mágico, por eu tentar descobrir como tudo se passa. Pode ser em vão, mas eu preciso descobrir se estou dentro da cartola.

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