Lia a tantos dias, que já nem lembrava quem eu era. Estava
imersa naquilo, com um misto de fascinação e raiva. O céu estava lindo lá fora,
mas eu não podia sair. Mesmo assim, eu me dedicava. As minhas causas haveriam
de ser maiores que o meu bem-estar momentâneo. Pelo menos era o que eu pensava.
Então, veio a notícia...
Não dava para saber a causa do meu desnorteio. Era a notícia
em si, as consequências irreparáveis na vida alheia ou a quebra da rotina na
minha? Não sei. O fato é que eu parei. Aquilo não dizia respeito a mim, mas
tinha a ver com vidas. E vidas se quebram mais fácil do que pode parecer.
Lágrimas surgiam nos meus olhos. Não era a minha dor ali.
Mas havia tristeza no ar. A vida é valiosa. E eu estou pronta para a minha.
Essas lágrimas que escorrem são a prova que eu precisava. Eu sou capaz de amar.
E você?
Eu sou capaz de viver por mim. Então, só precisamos ir, sem “mas”.
Vamos por aí descobrir o mundo. Sair, apesar de tudo. Os planos vão se
concretizar no que depender de mim. Sei disso porque nunca fui do tipo que faz
lista de desejos. Nem do que se comove tão facilmente. Mas hoje eu chorei de um
modo sincero. E percebi que são apenas desculpas me impedindo de partir. Vou
comprar uma mochila e colocar um sonho na estrada.

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